Jogos Sombrios

·

Published 8/21/2026
8views
cover image

A noite começou com Fernanda perdendo uma aposta.

“Pau no cu do meu dedão mindinho,” ela disse, chutando a mesa de centro com a ponta da bota. A garrafa de cachaça tilintou contra o copo de Hector, que nem piscou. “Você trapaceou, Yasmin. Você sempre trapaceia.”

Yasmin sorriu. Aquele sorriso que ela guardava para quando sabia que tinha vencido. O lume da lareira pegava no seu locket de prata, fazendo ele brilhar como um olho aberto no escuro. Ela não disse nada. Só virou a garrafa na direção de Fernanda, devagar, deixando o líquido escorrer até a boca do copo.

“Você não pode provar nada,” ela disse.

Hector grunhiu do outro lado do sofá. O couro rangeu quando ele se inclinou pra frente, pegou o copo dele, e bebeu metade de um gole só. A cicatriz que cortava a sobrancelha esquerda dele ficou mais visível na luz baixa. Ele não tinha tirado o avental de couro. O ferreiro mais teimoso que eu já conheci.

“Ela trapaceia,” ele disse. Não era uma acusação. Era um fato. Como dizer que o céu é azul.

“Você também trapaceia, Hector,” Yasmin respondeu, sem perder o sorriso. “Todo mundo trapaceia. A graça do jogo é não ser pego.”

Eu olhei pra eles. Os três. Meus amigos. As pessoas mais improváveis de se encontrar no mesmo cômodo, e ainda assim, ali estavam. O ex-soldado que martelava metal o dia inteiro e não falava mais que três palavras seguidas. A ex-espiã que vendia antiguidades e mentia sobre o que tinha no café da manhã. A fotógrafa que passava seis meses do ano em algum lugar que ninguém conseguia pronunciar.

E eu. O cara que organizava o jantar.

“Verdade ou desafio,” eu disse, batendo com o nó dos dedos na mesa. “É a porra do jogo. Alguém tem que jogar de verdade.”

Fernanda me encarou. Os olhos dela, sempre atentos, sempre medindo. Ela era assim. Até quando tava bêbada e descalça no meio da sala de estar, ela observava. A câmera dela tava pendurada no gancho perto da porta, como se ela pudesse precisar a qualquer momento.

“Tá bom,” ela disse. “Verdade ou desafio, Yasmin. Sua vez.”

Yasmin apoiou o queixo na mão. O cabelo cacheado caiu pro lado, revelando a cicatriz fina atrás da orelha. Ela nunca explicou aquela cicatriz. Eu nunca perguntei. Algumas coisas a gente não pergunta.

“Desafio,” ela disse.

Fernanda coçou a sobrancelha. Pensou. Bebeu mais um gole. A garrafa já tava na metade, e a noite ainda era jovem.

“Quero que você conte uma coisa verdadeira sobre você,” Fernanda disse. “Algo que ninguém aqui sabe. E não vale aquela história do cofre em Praga. Você já contou essa três vezes.”

Yasmin riu. Baixo. Um som que não combinava com o jeito dela. Parecia mais velho do que ela.

“O cofre em Praga é a minha história de abertura,” ela disse. “Eu tenho outras.”

“Então conta uma.”

O silêncio caiu. Não era um silêncio desconfortável. Era o tipo de silêncio que acontece quando todo mundo sabe que algo importante tá prestes a ser dito. Hector colocou o copo na mesa. O barulho do vidro contra a madeira pareceu ecoar.

Yasmin olhou pro teto. Depois pro chão. Depois pra parede, como se procurasse alguma resposta nas rachaduras do gesso.

“Eu matei um homem,” ela disse.

Ninguém riu.

“Tá,” Fernanda disse, devagar. “Isso é... isso é verdade?”

Yasmin virou o rosto pra ela. Os olhos verdes não piscaram. “Você pediu uma coisa verdadeira. Não pediu uma coisa bonita.”

Hector endireitou as costas. A mão dele, calejada e cheia de calos, foi até o copo de novo. Ele não bebeu. Só segurou.

“Quem?” ele perguntou.

Yasmin puxou o locket. Abriu. Lá dentro tinha uma foto minúscula, desbotada. Um homem de bigode fino, olhos claros, sorrindo. Ela fechou o locket antes de qualquer um conseguir ver direito.

“Alguém que precisava morrer,” ela disse.

Fernanda engoliu seco. Ela não era de se intimidar fácil. Já tinha levado tiro em três continentes diferentes. Mas naquele momento, ela pareceu pequena no sofá.

“Eu não sei se quero continuar esse jogo,” ela disse.

“Muito tarde,” eu falei. “Regra número um. Depois que começa, não pode parar.”

Yasmin sorriu de novo. Mas o sorriso não chegou nos olhos. “Exato. Verdade ou desafio, Fernanda. Sua vez.”

Fernanda respirou fundo. Pegou o copo. Bebeu até o fim. Bateu o copo vazio na mesa com mais força do que precisava.

“Desafio,” ela disse.

Yasmin inclinou a cabeça. O cabelo cacheado balançou. Ela parecia um gato olhando pra um passarinho.

“Quero que você me mostre a foto mais triste que você já tirou.”

Fernanda congelou.

“O quê?”

“Você é fotógrafa. Deve ter uma pasta cheia de fotos tristes. Me mostra a pior.”

Fernanda passou a mão no rosto. Ela tinha a testa franzida, os lábios apertados. Eu vi ela hesitar. E Fernanda não hesitava. Ela escalava montanhas sem corda. Ela entrava em jaulas de leões. Ela não hesitava.

“Tá no meu celular,” ela disse, a voz mais baixa do que antes. “No fundo da galeria. Eu nem lembro porque não apaguei.”

Ela pegou o celular no bolso da jaqueta. Os dedos dela tremiam um pouco. Ela passou a tela, procurou, parou. Ficou olhando pra tela por um tempo.

“Você não precisa mostrar,” eu disse.

“Preciso,” ela respondeu. “Regra número um.”

Ela virou o celular pra gente.

A foto era simples. Um elefante. Não, uma elefantesa. Deitada no chão de terra batida. Os olhos abertos, vidrados. A barriga inchada. Do lado dela, um filhote pequeno, encostado no corpo da mãe, como se ainda esperasse que ela fosse levantar.

Fernanda puxou o celular de volta antes de qualquer um falar.

“Caça ilegal,” ela disse. “Namíbia. Eu cheguei duas horas depois.”

Ninguém disse nada.

Hector pegou a garrafa. Encheu o copo de Fernanda sem perguntar. Ela pegou, bebeu, e limpou a boca com a manga da jaqueta.

“Sua vez,” ela disse, apontando o copo pra mim. “Verdade ou desafio.”

Eu olhei pros três. Yasmin, com o sorriso que escondia tudo. Hector, com as mãos que já tinham matado. Fernanda, com os olhos que viam demais.

“Desafio,” eu disse.

Fernanda apoiou os cotovelos nos joelhos. O olho dela brilhou. Não era um brilho bom.

“Quero que você ligue pro seu pai.”

O ar sumiu da sala.

“Não,” eu disse.

“Regra número um,” Fernanda respondeu. “Depois que começa, não pode parar.”

Yasmin assobiou baixo. Hector balançou a cabeça, mas não interferiu.

“Você não entende,” eu falei. “Meu pai e eu...”

“Eu sei. Você nunca fala sobre ele. É por isso que eu quero.”

Eu passei a mão no cabelo. Suor nas palmas. O celular no meu bolso pesava uma tonelada.

“Não,” eu repeti.

“Então você perdeu,” Fernanda disse. “E quem perde paga a aposta.”

“Qual aposta?”

Ela sorriu. Um sorriso que não combinava com a foto que ela tinha mostrado.

“Todo mundo aqui tem um segredo,” ela disse. “Eu quero saber todos. Até o fim da noite. Cada história, cada mentira, cada coisa que vocês nunca contaram pra ninguém.”

Yasmin levantou uma sobrancelha. “Isso é perigoso.”

“A vida é perigosa,” Fernanda respondeu. “Aceita ou desiste.”

Yasmin olhou pra mim. Eu olhei pra Hector. Hector olhou pro copo vazio dele.

“Tô dentro,” ele disse.

Todo mundo virou.

Hector raramente falava. Hector nunca se oferecia pra nada. Ele ficava ali, no canto, martelando metal e bebendo cachaça, e a gente deixava ele em paz.

“Você tem certeza?” Yasmin perguntou.

Ele levantou a cabeça. A cicatriz na sobrancelha brilhou. Os olhos dele, cinzentos como aço frio, encontraram os dela.

“Eu tenho histórias que vocês não tão prontos pra ouvir,” ele disse. “Mas se é pra jogar, vamos jogar.”

Ele enfiou a mão no bolso do avental. Tirou uma corrente fina, com uma chave enferrujada pendurada na ponta. Colocou na mesa.

“Isso é de um cofre,” ele disse. “No porão de uma casa que não existe mais. O que tá dentro do cofre é a razão pela qual eu saí do exército.”

O silêncio voltou. Mas agora era diferente. Agora era o silêncio de quem tá prestes a pular de um penhasco.

Yasmin pegou a chave. Examinou. Passou o dedo na ferrugem.

“O que tem dentro?” ela perguntou.

Hector não respondeu. Só pegou a garrafa e encheu o copo de novo.

“Verdade ou desafio,” ele disse, virando o jogo. “Yasmin. Sua vez.”

Yasmin fechou a mão em volta da chave. Apertou até os nós dos dedos ficarem brancos. Depois soltou, respirou fundo, e colocou a chave de volta na mesa.

“Desafio,” ela disse.

Hector apontou o queixo pra ela. “Quero que você me mostre o que tem dentro desse locket.”

Yasmin tocou o peito. O metal frio contra a pele.

“Você já viu.”

“Vi a foto. Não vi a história.”

Ela ficou parada. O tempo passou. O relógio na parede tiquetaqueava. A madeira da casa estalou.

“Tá bem,” ela disse.

Ela abriu o locket. Dessa vez, ela virou pra gente. A foto era de um homem. Bigode fino, olhos claros, sorrindo. Ele usava um terno velho, surrado, e tinha um cigarro atrás da orelha.

“Meu irmão,” ela disse. “Meio-irmão, na verdade. Ele trabalhava comigo.”

“No que você trabalhava?” eu perguntei.

Ela fechou o locket. “Antes de virar antiquária, eu trabalhava com... recuperação de ativos. Coisas que pessoas ricas perdiam. Ou que outras pessoas roubavam delas.”

“Você era uma ladra,” Fernanda disse.

“Eu era uma recuperadora,” Yasmin corrigiu. “Tem diferença.”

“Qual diferença?”

Yasmin sorriu. “Ladrão rouba de todo mundo. Recuperador rouba só de quem merece.”

Ela apontou pra foto. “Meu irmão. Ele era meu parceiro. A gente trabalhava junto. Até que um dia a gente aceitou um trabalho que não devia.”

“O que aconteceu?” eu perguntei.

Yasmin olhou pra chave na mesa. Depois pro Hector. Depois pro teto.

“Ele morreu,” ela disse. “E eu jurei que nunca mais ia voltar pra aquela vida.”

O vento bateu na janela. A casa gemeu. Lá fora, a noite estava escura e fria.

“Mas você voltou,” Hector disse. Não era uma pergunta.

Yasmin não respondeu.

Fernanda se levantou. Foi até a janela. Olhou pra rua vazia, as luzes dos postes tremeluzindo.

“A gente nunca sai completamente,” ela disse, de costas pra gente. “A gente só aprende a carregar o peso.”

Ela se virou. Os olhos dela estavam molhados, mas ela não chorou.

“Verdade ou desafio,” ela disse. “Hector. Sua vez.”

Hector terminou o copo. Bateu na mesa.

“Verdade.”

Fernanda voltou pro sofá. Sentou na frente dele. Olhou direto nos olhos dele.

“Você já matou alguém que não merecia?”

O silêncio durou uma eternidade.

Hector olhou pras mãos dele. As mãos que martelavam metal. As mãos que seguravam a chave. As mãos que tinham feito coisas que ele nunca ia contar.

“Sim,” ele disse.

A palavra caiu como uma bigorna no chão.

“Quem?” Fernanda perguntou.

“Não,” Hector disse. “Uma verdade é uma verdade. Você só pediu uma.”

Fernanda mordeu o lábio. Ela queria mais. Todo mundo queria. Mas ela sabia que não podia forçar.

“Tá,” ela disse. “Sua vez.”

Hector virou pra mim. Os olhos cinzentos me perfuraram.

“Verdade ou desafio.”

Eu engoli seco. “Desafio.”

Ele apontou pro celular no meu bolso. “Liga pro seu pai.”

“Eu já disse que não.”

“Não tô pedindo pra você falar com ele. Só ligar. Deixa tocar. Se ele atender, você desliga.”

“Qual o sentido disso?”

Hector inclinou a cabeça. “O sentido é que você tem medo. E medo é a única coisa que a gente tem que enfrentar de frente.”

Yasmin e Fernanda olharam pra mim. Os olhos delas, cada um carregando o próprio peso, me esperavam.

Eu tirei o celular do bolso.

A tela brilhou no escuro. Eu abri o contato. O nome do meu pai. A última chamada: três anos atrás.

Meu dedo pairou sobre o botão.

“Você não precisa,” Fernanda disse, baixo.

“Sim,” eu respondi. “Preciso.”

Apertei.

O telefone começou a chamar. Um toque. Dois. Três.

A sala inteira prendeu a respiração.

Quatro toques.

Cinco.

“Alô?”

A voz do outro lado. Rouca. Velha. Familiar.

Eu desliguei.

Coloquei o celular no bolso. Minhas mãos tremiam.

“Pronto,” eu disse. “Fiz.”

Hector assentiu. “Bom.”

Yasmin se levantou. Foi até a cozinha. Voltou com outra garrafa. Dessa vez era uísque. O bom.

“A gente precisa de algo mais forte,” ela disse, abrindo a garrafa.

Ela encheu os copos. Todo mundo pegou o seu.

“Saúde,” ela disse.

“Saúde,” a gente respondeu.

A gente bebeu.

O uísque queimou. Aqueceu o peito. Fez a cabeça girar um pouco.

“Eu tenho uma história,” Yasmin disse, sentando de novo. “Uma que eu nunca contei pra ninguém.”

“Que tipo de história?” Fernanda perguntou.

Yasmin olhou pro locket. Passou o dedo na superfície lisa.

“A história de como eu matei meu irmão.”

O copo de Fernanda parou no meio do caminho.

“O quê?”

“Não foi eu que puxei o gatilho,” Yasmin disse, rápido. “Mas foi minha culpa. Eu escolhi errado. Eu confiei na pessoa errada. E ele pagou por isso.”

Ela bebeu mais. O uísque escorreu pelo canto da boca. Ela limpou com as costas da mão.

“O homem que matou ele ainda tá vivo,” ela disse. “E eu sei onde ele tá.”

Hector endireitou as costas. “Você vai atrás dele?”

Yasmin sorriu. Mas o sorriso não era bonito. Era um sorriso de quem já tinha visto o fundo do poço.

“Eu tô indo amanhã.”

A informação caiu como uma bomba.

“Amanhã?” eu repeti. “Você vai amanhã?”

“Já comprei a passagem. Voo das seis da manhã.”

Fernanda largou o copo. “Yasmin, isso é loucura. Você não pode...”

“Eu posso,” Yasmin interrompeu. “E vou. Sozinha.”

Hector balançou a cabeça. “Não.”

Todo mundo virou.

“Não,” ele repetiu. “Você não vai sozinha.”

Yasmin franziu a testa. “Hector, isso não é da sua conta.”

“É,” ele disse. “Porque eu vou com você.”

O silêncio que seguiu foi o mais pesado da noite.

Yasmin abriu a boca. Fechou. Abriu de novo.

“Por quê?”

Hector levantou o copo. Bebeu. Olhou pra ela por cima da borda.

“Porque eu também tenho contas a acertar.”

Ele puxou a manga da camisa. Revelou o braço. A tatuagem do batalhão. Mas não era só isso. Abaixo dela, tinha outra tatuagem. Um nome. Um nome feminino, escrito em letras cursivas.

“Isabela,” Yasmin leu.

“Minha filha,” Hector disse. A voz dele falhou na primeira sílaba. “Ela morreu porque eu fiz uma escolha errada. Assim como você.”

Ele apontou pro locket dela. “O homem que matou seu irmão. O mesmo homem que matou minha filha.”

O mundo parou.

“O quê?” Yasmin sussurrou.

Hector terminou o uísque. Jogou o copo na lareira. O vidro estilhaçou.

“Eu passei dez anos procurando ele,” ele disse. “Dez anos. E ontem eu descobri onde ele tá.”

Ele se levantou. A sombra dele cobriu a mesa.

“A gente vai junto. Ou ninguém vai.”

Fernanda me olhou. Eu olhei pra ela. A gente não precisava falar.

“Tô dentro,” eu disse.

“Eu também,” Fernanda completou.

Yasmin olhou pra gente. Os olhos verdes brilhando. Ela não chorava. Ela não era de chorar.

“Vocês são idiotas,” ela disse. “Completamente idiotas.”

“Idiotas que vão com você,” eu respondi.

Ela riu. Mas o riso tinha lágrimas no fundo.

“Tá bem,” ela disse. “Mas se a gente morrer, eu vou ficar muito puta.”

Hector grunhiu. “Se a gente morrer, você não vai ficar puta. Você vai estar morta.”

“Detalhes,” ela disse.

A gente riu. Não era um riso feliz. Era o riso de quem tá prestes a fazer algo estúpido e sabe disso.

Fernanda pegou a câmera. Apontou pra gente.

“Sorriam,” ela disse.

Click.

A foto ficou. Os quatro. Hector com o avental de couro. Yasmin com o locket aberto. Fernanda com a câmera na mão. Eu com o celular no bolso, o fantasma do meu pai ainda ecoando na linha.

“Verdade ou desafio,” Yasmin disse, levantando a garrafa. “Última rodada.”

“Desafio,” a gente respondeu junto.

Ela sorriu. O primeiro sorriso verdadeiro da noite.

“Sobreviver até amanhã.”

A gente bateu as mãos. A garrafa passou de mão em mão.

Lá fora, o vento uivou. A noite engoliu a rua. E dentro da casa, quatro pessoas com passados quebrados fizeram um pacto.

Amanhã a gente ia caçar um fantasma.

Mas primeiro, a gente tinha que terminar o uísque.



8views

Comments

Sign in to join the conversation.

No comments yet. Be the first to share your thoughts.

Disclaimer

This is a work of fiction, assisted by artificial intelligence. Any names or characters, businesses or places, events or incidents, are fictitious. Any resemblance to actual persons, living or dead, or actual events is purely coincidental.

Content Removal Policy

  • Users may report content that may be illegal or violates our Standards.
  • All reported complaints will be reviewed and resolved within seven business days.
  • Review Process: Our team will assess the reported content against our guidelines.
  • Appeals: If you disagree with a decision, you may appeal within 14 days of notification.
  • Potential outcomes include: content removal, account warning, or no action if no violation is found.

To report content, email us at [email protected]